Na noite desta quarta-feira, dia 17, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) foi reconhecido com a terceira colocação na categoria de Responsabilidade Social do XIV Prêmio República. A gratificação é uma iniciativa da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), com o objetivo de reconhecer trabalhos que ajudam a fortalecer os pilares da cidadania, da justiça e dos direitos fundamentais no país.
“Ficamos honrados em receber o reconhecimento pelos anos de compromisso social, ambiental e com o desenvolvimento sustentável que desenvolvemos”, afirma a Diretora Regional Centro Sul do IABS, Marília Ramos. “Iniciativas como essa reforçam a importância do trabalho de organizações comprometidas com a sociedade, e em gerar impactos reais nos territórios, através da visibilidade, sendo um incentivo para continuarmos fortalecendo nossa rede de ações”, completa.
O IABS foi gratificado por suas ações voltadas para a inclusão produtiva, conservação ambiental e fortalecimento comunitário em todo o território brasileiro desde 2003. O Instituto trabalha em parceria com governos, comunidades locais, empresas e organizações para implementar e coordenar projetos que atuam com a preservação e fortalecimento de cadeias produtivas e do desenvolvimento sustentável na agropecuária do país, além de programas de capacitação e formação para produtores rurais voltados ao uso sustentável de recursos e técnicas inovadoras de produção, infraestruturas socioprodutivas, e preservação, pesquisa e recuperação ambiental.
Estiveram presentes representando o IABS na solenidade o Diretor-Presidente, Tadeu Assad, o Diretor Técnico e Diretor Vice-Presidente, Eric Sawyer, a Diretora Regional Centro Sul, Marília Ramos e o Assessor de Internacionalização, Rômulo Piazzalunga.
Conheça algumas ações do IABS
No âmbito do Programa Rural Sustentável, o IABS executa o Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS-Cerrado), atuando em mais 101 municípios do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, com o objetivo de promover tecnologias de baixa emissão de carbono na agropecuária local. O projeto fortalece as Organizações Produtivas (OSPs) parceiras por meio de capacitação de produtores rurais, serviços de assistência técnica e extensão rural (ATER) e entrega de benefícios coletivos, além de promover pesquisas e produção de conhecimento através de cursos e do Mestrado Profissional.
O PRS – Cerrado é financiado pelo Programa Internacional de Financiamento do Clima do Governo do Reino Unido, aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), conta com o MAPA como beneficiário institucional, e com coordenação científica da Embrapa e apoio da Rede ILPF.
Conheça: PRS – Cerrado
Também parte do Programa, o Projeto Rural Sustentável – Amazônia (PRS-Amazônia) atua diretamente fortalecendo seis cadeias produtivas em três estados da Amazônia. No Amazonas, trabalha com a cadeira do pirarucu de manejo e da castanha-do-Brasil, no Pará com o açaí e o cacau, e em Rondônia com os peixes redondos e o café robusta. As ações procuram incentivar a aplicação de práticas sustentáveis na produção local, ampliar o acesso a mercados, oferecer serviços de assistência técnica e de formação, além de incentivar a pesquisa e inovação na região amazônica. É um trabalho conjunto para fortalecer coletivos produtivos e agroextrativistas, em sua maioria formados por povos e comunidades tradicionais, muitas delas lideradas por mulheres.
O PRS – Amazônia é fruto de Cooperação Técnica entre o Governo do Reino Unido e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A gestão de recursos é feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Conheça: PRS – Amazônia
O Sururu: Conchas que Transformam trabalha principalmente com as mulheres marisqueiras da comunidade do Vergel do Lago, em Maceió, promovendo o reaproveitamento da concha do sururu, elemento representativo da cultura local e patrimônio imaterial do estado. A iniciativa busca a transformação de um problema social, gerado pelo descarte inadequado das conchas de sururu nas ruas do bairro, em oportunidade, aproveitando-as como matéria-prima para a criação de novos produtos, numa lógica de economia circular. As ações promovem uma alternativa de renda para a comunidade, além da melhora nas condições de vida, inclusão produtiva das marisqueiras e a valorização de saberes tradicionais.
A ação é realizado em parceria pelo IABS com a Portobello.
Conheça: Sururu: Conchas que Transformam
Já o Canal da Cidadania é um projeto finalizado que buscou criar alternativas de trabalho e renda no ambiente rural para as populações circunvizinhas ao Canal do Sertão, promovendo o desenvolvimento das famílias de agricultores. A iniciativa enfrentava os desafios relacionados a adversidades ambientais e sociais presentes no sertão alagoano, desenvolvendo soluções para a elaboração e disseminação de práticas sustentáveis. As ações capacitam os participantes para a aplicação de modelos socioprodutivos, de agricultura resiliente, tecnologias sociais e comercialização dos produtos nos municípios de Pariconha, Água Branca e Delmiro Gouveia.
O Canal da Cidadania resultou de um termo de fomento celebrado em 2020 entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o IABS, decorrente da Emenda Parlamentar 41780021.
Conheça: Canal da Cidadania
O XIV Prêmio República
Além do IABS, o Centro de Defesa Ferreira Souza foi premiado na primeira colocação. A associação atua na zona norte de Teresina, no Piauí, na comunidade remanescente do quilombo Boa Esperança. O Centro oferece assessoria técnica popular multidisciplinar, além de coordenar ações voltadas para a preservação da memória, cultura e resistência territorial. A iniciativa surgiu como resposta ao deslocamento de mais de 3 mil famílias imposto pelo Programa Lagoas do Norte, em 2008.
Já o segundo lugar ficou com a Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), que defende seringueiros e trabalhadores das florestas no estado desde 1990. A entidade atua com o fortalecimento organizacional, o fomento às cadeias produtivas, a proteção territorial e a incidência política na região. Trabalhando diretamente com seringueiros e líderes comunitários, promovem capacitação, educação ambiental e o incentivo à preservação florestal e uso sustentável de recursos naturais.
Além deles, o Selo Amazônia Mulher, iniciativa da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em parceria com a Fapespa, a Secretaria de Estado das Mulheres e o Governo do Pará, que certifica empreendimentos femininos sustentáveis que atuam na bioeconomia regional, recebeu um troféu como menção honrosa na categoria.
As indicações vieram de uma delegação formada por João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Neidinha Suruí, ativista de direitos humanos e meio ambiente, e Ana Paula de Freitas, advogada e idealizadora do Instituto de Defesa da População Negra (IDPN).
Já os finalistas foram selecionados pela comissão julgadora formada por autoridades como Ana Carolina Roman, desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), Vivian Calderoni, coordenadora e pesquisadora do Instituto Igarapé, Adriana Cruz, juíza federal, e a Ministra do STF Cármen Lúcia. O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também esteve presente na cerimônia.