Durante os dias 28, 29 e 30 de julho, ocorreu a 4° Reunião Nacional do Plano ABC+, organizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), na sede de Brasília do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS). Ao longo dos três dias, o encontro promoveu debates sobre a implementação da política nacional de agricultura de baixa emissão de carbono, reunindo experiências de diferentes regiões do país.
Na abertura do evento, que contou com a participação do ministro André de Paula, os participantes destacaram a importância da cooperação entre as instituições envolvidas na implementação do Plano ABC.
O Diretor-Presidente do IABS e Diretor-Geral dos Projetos Rural Sustentável (PRS) Cerrado e Amazônia, Tadeu Assad, ressaltou a importância do encontro para promover a troca de experiências entre os territórios e aproximar as diferentes realidades da implementação do plano. Segundo ele, o momento é uma oportunidade para “interagir e conhecer a realidade de cada estado”, reforçando “a força que o Plano ABC+ tem para reverter essa crise climática”.
Representantes das instituições parceiras também enfatizaram a importância da atuação conjunta. Marcelo Fiadeiro, secretário de Desenvolvimento Rural do MAPA, destacou a necessidade de “fazer o que fazemos de melhor: produzir de forma sustentável”, enquanto o representante da Embaixada do Reino Unido, João Oliveira, afirmou que o fortalecimento da agricultura sustentável depende de um “compromisso coletivo” e que encontros como esse renovam “a esperança” e o compromisso de dar continuidade a iniciativas bem-sucedidas.
Pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Jorge Meza lembrou que, embora haja produção suficiente de alimentos, “temos alimentos para todos, mas nem todos estão bem alimentados”, ressaltando o papel do Brasil na segurança alimentar global, considerando que o país alimenta 20% da população mundial.
A cerimônia de abertura contou, também, com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o chefe de operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Rodolfo Stucchi, e João Oliveira, representante da Embaixada do Reino Unido.
Antes do início das discussões, Rodrigo Dantas, coordenador do Plano ABC+ no MAPA, fez uma apresentação sobre a trajetória da estratégia. Ele ressaltou que “o plano é uma ferramenta que promove desenvolvimento nos estados e no país”. Também mostrou dados atuais sobre a estrutura da política, e a participação de 376 instituições envolvidas com o objetivo de fortalecimento da produção sustentável.

Programa Rural Sustentável compartilha experiências e resultados
Ao longo dos primeiros dias da programação, o Programa Rural Sustentável recebeu destaque como uma das iniciativas executoras do Plano ABC+.
Coordenadores e diretores do Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS-Cerrado) e do Projeto Rural Sustentável – Amazônia (PRS-Amazônia), as duas iniciativas atualmente em execução, compartilharam as práticas adotadas nos dois territórios, apresentando dados dos resultados alcançados, bem como experiências e lições aprendidas durante os anos de atuação.
A Coordenadora Operacional do PRS-Cerrado, Kamila Rocha, destacou a importância de compreender a sustentabilidade como investimento de longo prazo, destacando que o objetivo é fazer com que “o conhecimento chegue ao produtor na ponta para ele conseguir aplicar”.
Já Eric Sawyer, Coordenador Operacional do PRS-Amazônia, falou sobre os desafios e aprendizados decorrentes da atuação em um território de grande extensão e diversidade. Ele apresentou as metodologias do projeto, e como elas levaram a resultados significativos de trocas com os beneficiários, e o trabalho com o reconhecimento das comunidades locais com suas próprias identidades.
As mesas temáticas ainda aprofundaram outros temas relacionados a diferentes dimensões de atuação dos projetos.
Na discussão sobre Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), os participantes destacaram a atuação dos técnicos como elo entre políticas públicas e produtores rurais. Carlos Venâncio, Auditor Fiscal Agropecuário do MAPA, ressaltou que a sustentabilidade também depende da viabilidade econômica das propriedades e que a relação de confiança construída entre produtores e técnicos é fundamental para ampliar a adoção de práticas sustentáveis.
As apresentações dos dois projetos mostraram que a ATER vai além da transferência de tecnologias, envolvendo diagnósticos individualizados, planejamento das propriedades, adaptação das recomendações às características de cada família e fortalecimento da gestão produtiva.
Outro tema abordado foi o fortalecimento das Organizações Socioprodutivas (OSPs). As equipes apresentaram a estratégia de nucleação adotada pelos projetos para ampliar o alcance das ações por meio das organizações locais. As apresentações mostraram como oficinas de escuta junto aos produtores subsidiam a construção dos Planos de Negócios e de planejamento dos Benefícios Coletivos, fortalecendo as organizações para que se tornem protagonistas na implementação das práticas produtivas sustentáveis e mantenham os resultados após o encerramento dos projetos.
As ações de capacitação também foram apontadas como um dos principais legados dos PRS. As discussões abordaram a importância da formação continuada das equipes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATECs), da oferta de conteúdos alinhados às necessidades dos territórios e da aproximação entre conhecimento técnico e realidade local. “O projeto acaba, mas a educação permanece”, resumiu Deimiluce Lopes ao destacar o caráter permanente das ações de capacitação.
No segundo dia, os debates voltaram-se para os arranjos de governança do Plano ABC+ nos estados e para as oportunidades de fortalecimento da política pública por meio dos projetos. “Projetos são instrumentos que ajudam a operacionalizar as ações do Plano ABC+ nos territórios”, afirmou Vinícius Lopes, Diretor Regional Norte do PRS-Amazônia. Já Tadeu Assad ressaltou a importância da valorização da produção sustentável, afirmando que “o mercado viabiliza que essas práticas sejam instauradas”.
Também foram debatidas oportunidades para ampliar o acesso a mercados, agregar valor aos produtos oriundos das tecnologias do Plano ABC+ e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis em diferentes biomas.

Painéis técnicos ofereceram novas perspectivas do desenvolvimento rural sustentável
Além das mesas de debate, a programação contou com painéis técnicos voltados ao aprimoramento da implementação do Plano ABC+.
Os participantes acompanharam apresentações sobre os mecanismos de monitoramento das metas estaduais e nacionais, incluindo a atualização dos Planos Estaduais (PAEs) e a alimentação do Sistema de Informação do Plano ABC+ (SIGABC). Foi destacada a importância da organização, sistematização e consolidação dos dados para acompanhamento da política.
Também foram apresentados projetos nacionais voltados ao fortalecimento do Plano ABC+, como o GEF Vertentes e a iniciativa conduzida pelo Funbio, e discussões sobre a integração entre o Plano ABC+ e o Plano Clima, tanto nas estratégias de mitigação quanto de adaptação às mudanças climáticas.
Já o terceiro e último dia foi dedicado à apresentação de estudos e experiências relacionados à produção agropecuária sustentável. Os painéis abordaram desde o balanço de carbono em sistemas de produção de erva-mate e sua potencialidade para mitigação da emissão de gases no país, até o monitoramento agroclimático. Também foram apresentados temas como técnicas de conservação do solo, sistemas silvipastoris, integração lavoura-pecuária (ILP) e outras tecnologias voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Mônica Cavalcanti, Diretora do Departamento de Produção Sustentável (DEPROS/MAPA), encerrou os diálogos do evento, parabenizando a equipe do Plano ABC+ coordenada por Rodrigo Dantas, e afirmando que os três dias de discussões evidenciaram a “importância de colocar o Plano ABC+ embaixo do braço”, e o comprometimento dos agentes em colocar as metas em prática.

Como parte final da programação, os participantes inscritos puderam participar de um Dia de Campo especial da Fazenda Miunça. Foram um total de 63 visitantes, que puderam ver em prática as técnicas abordadas ao longo da programação.
